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Luiz Gustavo Amadei

Um espaço de contato com a psicanálise para além do consultório.

Mês

Maio 2013

A importância das palavras

Qualquer sociedade distante no tempo e no espaço de outra partilha alguns elementos em comum, entre eles, o uso da fala. Notadamente, todas as sociedades humanas possuíam ou possuem repertório de palavras que são usadas na comunicação entre seus membros.

Algumas sociedades são caracterizadas por usarem mais a fala, outras são menos falantes, mesmo assim, todas vivenciam a importância das palavras em seu cotidiano.

Na década de 1880, Josef Breuer, médico vienense, possuía uma paciente, Anna O., que ao falar sobre seus sintomas e recordar experiências infantis traumáticas tinha como efeito a redução dos sintomas dos quais se queixava. Nessa época, Josef Breuer e Sigmund Freud, médico austríaco, eram próximos e puderam pensar juntos acerca dessa peculiar situação médica.

Com o passar dos anos, Freud fundou a psicanálise com sua única regra: a associação livre, técnica na qual o analisando diz tudo que lhe vem à cabeça sem fazer censura de conteúdo. A permissão do uso das palavras na sessão analítica (que sempre estão associadas com outras e envoltas de afetos, sentimentos, emoções e razão) demonstra o grande valor que possuem, inclusive, na relação direta dos sintomas das quais se queixam.

Em meados do século XX, Lacan ao retomar os ensinamentos de Freud conduz um processo de apropriação de vários ensinamentos que estavam esquecidos desde então. Seguramente, um dos mais importantes foi com a linguagem, que então, já tinha status de objeto científico não sendo apenas a intermediária entre o pensamento e a comunicação humana.

Finalmente, com Lacan a psicanálise passa a usufruir muito mais dos conhecimentos da linguística e as palavras passam a ocupar importante papel na constituição dos sintomas, dos sujeitos, da tentativa de realização dos desejos, sendo as operações de linguagem que se verifica no inconsciente são a metáfora e a metonímia.

Bibliografia:

Goeppert, Sebastian e Goeppert, Herma. Linguagem e psicanálise. Tradução: Otto Erich Walter Maas. Ed. Cultrix, São Paulo, 1973.

Lacan, Jacques. O Seminário: Livro 5: as formações do inconsciente 1957-1958; texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradução de Vera de Ribeiro, revisão de Marcus André Vieira. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1999.

Lévi-Strauss, Claude. Antropologia Estrutural. Revisão etnológica de Julio Cezar Melatti. Trad. Chaim Samuel Katz e Eginardo Pires. Ed. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro. Primeira edição brasileira, 1975.

Simanke, Richard Theisen. Composição e estilo da metapsicologia lacaniana: os anos de formação (1932-1953). São Paulo: FAPESP/Discurso Editorial/Editora UFPR, 2002 (1997). ISBN.: 8586590355.

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Mito individual

Lacan em sua trajetória estruturalista apoiou-se em alguns autores, entre eles, Lévi-Strauss, de quem aproveitou muitas ideias, por exemplo, a de que as pessoas constroem um mito individual sobre sua vida que lhes faz sentido.

Costumamos usar o termo mito para qualquer história que achamos falsa. Frequentemente, na mídia, em livros, por exemplo, coloca-se em oposição Verdade e Mito. Entretanto, em Lévi-Strauss e Lacan essa distinção não é verdadeira e tampouco aplicável.

Lacan nos diz que todos nós formulamos uma história sobre nossa própria história. Nessa construção, há elementos que são factuais e outros, não. Entretanto, e justamente aí ocorre algo interessante, a distinção entre esses elementos não torna o discurso do sujeito ou do analisando uma farsa. A aparição de elementos criados pelo próprio sujeito para a sua história são tão importantes quanto aqueles que ele julga serem factuais. Por fim, em análise não está em jogo dizer somente a verdade, nada mais que a verdade.

 

Bibliografia:

Lacan, Jaques. O mito individual do neurótico, ou, A poesia e verdade na neurose/ Jacques Lacan; tradução Cláudia Berliner;  Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2008. – (campo freudiano no Brasil).

Lévi-Strauss, Claude. Antropologia Estrutural. Revisão etnológica de Julio Cezar Melatti. Trad. Chaim Samuel Katz e Eginardo Pires. Ed. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro. Primeira edição brasileira, 1975.

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