Lacan em sua trajetória estruturalista apoiou-se em alguns autores, entre eles, Lévi-Strauss, de quem aproveitou muitas ideias, por exemplo, a de que as pessoas constroem um mito individual sobre sua vida que lhes faz sentido.

Costumamos usar o termo mito para qualquer história que achamos falsa. Frequentemente, na mídia, em livros, por exemplo, coloca-se em oposição Verdade e Mito. Entretanto, em Lévi-Strauss e Lacan essa distinção não é verdadeira e tampouco aplicável.

Lacan nos diz que todos nós formulamos uma história sobre nossa própria história. Nessa construção, há elementos que são factuais e outros, não. Entretanto, e justamente aí ocorre algo interessante, a distinção entre esses elementos não torna o discurso do sujeito ou do analisando uma farsa. A aparição de elementos criados pelo próprio sujeito para a sua história são tão importantes quanto aqueles que ele julga serem factuais. Por fim, em análise não está em jogo dizer somente a verdade, nada mais que a verdade.

 

Bibliografia:

Lacan, Jaques. O mito individual do neurótico, ou, A poesia e verdade na neurose/ Jacques Lacan; tradução Cláudia Berliner;  Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2008. – (campo freudiano no Brasil).

Lévi-Strauss, Claude. Antropologia Estrutural. Revisão etnológica de Julio Cezar Melatti. Trad. Chaim Samuel Katz e Eginardo Pires. Ed. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro. Primeira edição brasileira, 1975.

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