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Luiz Gustavo Amadei

Um espaço de contato com a psicanálise para além do consultório.

Mês

Julho 2013

Habemus papam

Na mesma semana em que o papa Francisco esteve no Brasil, eu assisti o filme Habemus papam. Pode-se dizer que o filme tem como assunto principal o conclave para a eleição de um novo papa e sua dificuldade em assumir o posto de sumo pontífice da Igreja Católica.

Ressalto que minha proposta não é discutir sobre os aspectos técnicos do filme. O que me interessou no filme foi o dilema vivido pelo personagem Melville, feito pelo ator Michel Piccoli, a saber: estar ou não estar preparado para assumir o papado.

Para que o leitor possa se situar no contexto do filme direi, rapidamente, que: assim que é eleito o novo papa, esse titubeia ao dizer se aceita ou não o papado. Seus colegas iniciam um canto e quase não se ouve ele dizer que aceita a missão. Entretanto, no momento em que os cardeais irão anunciá-lo na praça de São Pedro, para milhares de pessoas, o novo papa tem uma crise e não aparece em frente ao público. Continue reading “Habemus papam”

Os três mosqueteiros e a construção de um personagem

Como já disse em outro post, para mim um grande autor é aquele que consegue escrever várias coisas ao mesmo tempo em cada obra.

A intenção desse texto é mostrar um curioso aspecto da obra Os três mosqueteiros. Os dizeres seguintes não esgotam a experiência com o livro. Uma das características peculiares do livro de Alexandre Dumas é a diferença que o narrador tem entre apresentar D’Artagnan e todos os demais personagens. Continue reading “Os três mosqueteiros e a construção de um personagem”

Agatha Christie e o desejo de morte

Um bom escritor é aquele que consegue dizer várias coisas ao longo de seus livros. E Agatha Christie realiza essa tarefa muito bem.

O principal personagem de sua vasta obra é o detetive Hercule Poirot, tão metódico quanto carismático. Esse personagem aparece nas histórias de assassinato. Seu objetivo como detetive é claro: resolver o enigma de quem cometeu o crime. Essa tarefa que já não parece simples se dá em um enredo paradoxal, a saber: a história só pode ir adiante se for para trás.

Será pela atuação de Poirot, em cada caso, que o nó paradoxal é desatado. Enquanto a construção da solução do crime está sendo montada, Christie aproveita para nos contar algumas coisas interessantes. Continue reading “Agatha Christie e o desejo de morte”

Agora é o momento para falar de si mesmo

Falar de si mesmo

Hoje em dia, a vida é muito agitada. Temos vários compromissos, nossos horários são lotados, nossas obrigações são muitas e as pressões são diversas. E uma queixa comum surge: Não tenho mais tempo para mim.

Isso é verdade. Afinal, o mundo atual exige de nós que sejamos atuantes no trabalho, em casa, com os filhos e com parceiros amorosos. Há uma cobrança praticamente insuportável em cima de cada um de nós.

Diante dessa vida de alta tensão acabamos ficando e nos tornando estressados. Tudo nos irrita. Ficamos furiosos com as crianças, no trânsito, no trabalho (embora seja frequente “engolir sapo”) e entre outras situações.

Nesse cenário estressante há sempre alguém próximo que reforça a ideia de que precisamos de um tempo só para nós. Então, a pessoa entusiasmada passa a frequentar aulas de musculação, idiomas, yoga, dança ou etc. Todas essas opções são muito boas e produzem algum resultado. Entretanto, isso não basta.

Essas boas alternativas para o estresse diário podem ser melhor aproveitadas com o auxílio psicológico. E por quê?

Porque, diferentemente, de todas as outras atividades que se pode escolher a análise não é feita através de tarefas, lições ou algo similar. Há que se deixar claro que em nossas vidas, na maioria das vezes, estamos à disposição de alguém (como vimos anteriormente).

Uma análise funciona ao contrário dessa lógica. Ao invés da pessoa estar à disposição de um profissional seja ele um professor de idiomas, musculação, yoga, dança ou etc. com vias de melhorar sua própria performance, em uma análise é o analista que está à disposição do paciente.

Não cabe ao trabalho do analista apresentar um roteiro de tarefas a seguir ou um plano de exercícios, mas sim, será o paciente que dirá ou fará aquilo que tem vontade. Ali no momento da sessão o paciente assume um papel de protagonista e maneja o tempo da sessão conforme seu desejo. Na análise o tempo é seu.

O analista reserva um horário para que possa prestar uma escuta profissional e caminhar junto com o paciente na melhor resolução de um dilema pessoal.

Portanto, ao optar em iniciar uma análise, a pessoa decididamente passa a ter um tempo para si, para falar de si, mesmo ao falar dos outros, enquanto que do outro lado da sala haverá um profissional prestando escuta e auxiliando nas questões trazidas pelo paciente.

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No fundo do ônibus

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Psicólogo Renan S. Carletti

Reflexões sobre clínica e psicologia