É comum em algumas áreas da psicologia se falar em encantamento pela vida. O que seria isso? No texto que se segue pretendo trazer essa ideia de forma simples para que você possa encontrar estratégias de afirmação da vida. 

A palavra encantamento imediatamente nos leva a pensar em algo místico, efeito de encanto ou bruxaria. Não é esse o sentido que tomo aqui. O encantamento que proponho é algo mais simples e do qual todos podem experimentá-lo sem receio. Basta que você se permita a isso.

O encantamento pela vida se dá em ato de prazer. Cada um de nós, ao longo da vida, sabe do que gosta de fazer e do que não gosta. Há atividades que ao fazermos nos geram uma sensação prazerosa, pouco vivida no dia-dia, em meio as tarefas cansativas e, por vezes, sem sentido claro.

Não raro, observa-se na clínica como a vida das pessoas ao longo dos anos vai se endurecendo. Muitas vezes o trabalho aparece como aquilo que toma muito tempo e energia, de modo que a pessoa se sente esgotada e nada mais quer fazer a não ser descansar.

Curiosamente, o descanso nem sempre aparece como algo que faz a pessoa recuperar suas energias, pois diante do esgotamento e de uma vida acinzentada imposto pelo dia-dia a hora de descansar vira uma tarefa sem sentido, angustiante, principalmente, quando os programas de domingo à noite vão chegando ao fim e a sensação de que segunda-feira está chegando e que não foi feito nada de interessante no fim de semana aparece.

Encantamo-nos por algo quando nos permitimos à experimentação de uma situação que não é corriqueira em nossas vidas. As estratégias são diversas e poderia citá-las em grande número, contudo, prefiro indicar duas possibilidades: as artes e os estudos.

As artes expressam um mundo repleto de intensidades, forças, movimentos e etc. que pode nos atingir em cheio. Composta por variadas formas e conteúdos as músicas, as danças, os quadros, as exposições, os poemas, as histórias… demonstram a capacidade humana em última instância. Logicamente, que ao se falar de arte não estou pensando unicamente naquelas formas mais elitizadas, pois há também muitos saberes nas artes vindas do berço do povo, que em um simples verso musical nos apresentam um mundo que desconhecíamos. Podemos, também, optar pela leitura de um livro que de repente nos toma de interesse e somos impelidos a lê-lo com tanto afinco quanto prazer.

Outra entrada nas artes pode ser pela via da criação e não somente a da contemplação. Há pessoas que são muito criativas e, por conta do cotidiano exaustivo, não conseguem exercer a criatividade limitando sua potência de vida com tarefas que no fundo lhe são de pouco sentido ou utilidade. Permitir um espaço as criações poderá ser de grande valia. Criar é ser ativo, desperto e alegre.

Agora em relação aos estudos. Há mentes que são bem curiosas e seu combustível é descobrir como as coisas são ou funcionam. Pessoas assim necessitam estar em contato com algo que lhes provoque o intelecto seja com livros, filmes ou documentários. Assim como nas artes as possibilidades são muitas. Podemos pensar no exemplo de pessoas que adoram idiomas. Para elas entrar em contato com outro idioma produz uma nova rede de sentido, de motivação e encantamento, principalmente, se isso não estiver atrelado as necessidades do mercado de trabalho. A pessoa escolhe aprender um idioma, pois há algo nessa língua que a toma de vontade e de prazer.

A sensação de encantamento por algo da vida é como estar em uma viagem em um local desconhecido, mas estranhamente familiar que sempre nos convida a seguir, sem que saibamos muito bem onde finalmente chegaremos tendo como desfrute o prazer da jornada.

Independentemente daquilo que desperta algo de interesse em você um ponto em comum surge: a despreocupação com o tempo. Diante do encanto não se perde tempo, aproveita-se.

Anúncios