Todos nós já conversamos com alguém sobre nós mesmos, seja para dar uma boa notícia como para conversar sobre algo que não anda bem em sua vida. De fato, algumas vezes conversar com um amigo sobre algo que não vai bemé interessante e ajuda abrir a cabeça para problemas que não tínhamos percebido até então.

Mas você já experimentou falar de você? A pergunta não é tão simples de responder, pois conversar, todos conversam, entretanto, falar já é mais raro.

Em uma conversa espera-se que os participantes se comuniquem, troquem opiniões, conselhos e que um se coloque no lugar do outro para entender a situação. Não se trata disso em uma análise.

O ritmo de uma análise é bem diferente de uma conversa. Vejamos, então, como é.

Estando o analista e paciente sentados, este começa a falar. O que se fala em uma sessão, então? Simplesmente, o paciente diz aquilo que lhe vier à cabeça, sem que ele faça censura das coisas que lhe vierem à mente.

É justamente nesse ponto que se passa a falare não mais conversar. Enquanto você está falando de você o papel do analista será o de ouvinte. E em determinados momentos ele poderá fazer alguma intervenção daquilo que você falou.

A estratégia da análise é possibilitar um bem-estar e isso é feito através de palavras faladas. O paciente tem liberdade para falar do que quiser de seus medos, angústias, esperanças, amores e etc.

Como bem lembrou Freud (1926) a fala de um personagem de um livro alemão: “O senhor fala e dissipa seus males”. Claro que o resultado disso leva tempo. Muitas vezes se escolhe viver por anos e anos com algum sintoma psíquico sem procurar ajuda profissional e se imagina que em poucas sessões lhe seja restituída a saúde mental? Não é o caminho. O bem-estar inicial que se pode ter com a análise não se confunde com a cura.

E por que a fala é tão importante para a análise?

Porque pela palavra que se pode provocar alegria, risos, ou então, ferir e machucar. A palavra é o que nos faz humanos. E na análise você descobre que se pode a passar a vida toda carregando palavras inconscientemente, ou seja, sem nos darmos conta que isso nos afeta diariamente. Então, é preciso que venha à tona aquilo que carregamos sem que saibamos.

“Se o paciente aceitar a experiência da análise dificilmente deixará de esperar que a troca de ideias e palavras, mesmo que nessas condições incomuns no qual se fala ao analista, deixem de produzir efeitos especiais” (Freud).

Cabe ao paciente em análise se observar e refletir sobre as coisas que lhe vêm à mente comunicando ao analista essas coisas. Para o bom andamento do tratamento se torna necessário que ele apenas perceba o que se passa na superfície do inconsciente.

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