Nas últimas semanas me deparei com algumas pessoas que me perguntavam: Por que ir ao psicólogo(a)? Quando que eu sei que preciso ir procurar auxílio psicológico?

Primeiramente, é muito difícil alguém ir ao psicólogo(a) quando tudo está bem em sua vida, quando a alegria é constante. Então, poderíamos deduzir que as pessoas vão psicólogo(a) quando estão infelizes, tristes, depressivas, enfim, quando algo não está bem em suas vidas, ou seja, quando há sofrimentos. Certo? Não necessariamente…

Curiosamente, as pessoas demoram anos até procurar um profissional. Mais curioso ainda é que parece que os sofrimentos mais agudos, aqueles mais persistentes e que atrapalham demais no dia-dia, fazem com que as pessoas demorem mais para procurar um psicólogo(a).

A psicologia fornece ampla lista de possíveis motivos que impedem ou dificultam a ida de pessoas ao psicólogo(a). Entre eles, há o curioso: “Não sou louco!”, como se a profissão de psicólogo(a) fosse única e exclusivamente direcionada aos loucos, e, pior, essa frase coloca o louco enquanto sujeito desvalorizado, como se ali não pudesse emergir nada de interessante ou mesmo criativo. Diante dessa fantasia social, a pessoa que sofre prefere continuar sofrendo do que desfazer a tal fantasia de que quem vai ao psicólogo é louco.

Outra (des)culpa comum é: Por que pagar para alguém falar e me ouvir se posso falar com os meus amigos? Vamos dividir essa perguntas em duas partes. Primeiro sobre os amigos.

Com os amigos nós temos liberdade e intimidade, inclusive, alguns de nossos amigos, às vezes, dão puxões de orelhas em nós e isso gera algum efeito. Entretanto, um bom amigo pode até ouvir você, mas será que lhe escuta?

O profissional da psicologia é alguém aprende a trabalhar com essa ferramenta. Diante dessa ferramenta, que é o escutar, ele usará o que aprendeu e continua aprendendo da teoria que segue. Um(a) psicólogo(a) bem formado tem uma concepção sólida sobre o que ele entende ser um ser humano. Ele entende que a vida tem suas mazelas e que, às vezes, a coisa que mais queremos é ficar só – sem ninguém nos cobrando (através de palavras “de incentivo ou força de vontade”, que nos atrapalham nesses momentos).

Nossos amigos são pessoas próximas e nem sempre nos permitem a vivenciar o que falamos acima. Isso ocorre porque, infelizmente, hoje em dia, não reconhecemos mais a tristeza como algo a ser vivido, pois só queremos dispensá-la – tarefa inútil, pois é ela que nos revela muito do que somos sem saber que somos. É importante que se diga que o psicólogo não é um profissional da tristeza, ao contrário, uma vez que um dos objetivos é fazer com que o analisando reconheça sua autonomia frente a tristeza e, também, frente a alegria, de modo que possa produzir algo de novo, que lhe faça sentido, que esteja a altura do seu desejo.

A outra parte da pergunta é sobre o pagar. Nesse ponto ocorre algo interessante. As pessoas titubeiam nessa hora, mesmo que queiram fazer análise, pois lhes vêm à cabeça algo como: gastar. O pagamento seria entendido, então, como um gasto, aquilo do qual se depreende e não volta mais. Um objeto pode se tornar gasto, consumido pelo tempo, ficando inutilizável, mas, você, leitor, não é algo que se gasta, afinal, você não é um objeto acabado e pronto. Você é um ser humano e como tal, está sempre em construção, sempre se fazendo, sendo afetado, afetando, pensando, rindo, chorando, nunca sendo o mesmo, mesmo há um segundo atrás.

O dinheiro envolvido na terapia é importante, pois você, leitor, está diante de um profissional, o qual não lhe vende seu serviço, mas sim, atua em uma relação terapêutica diferenciada. O(A) psicólogo(a) trabalha sobre alguns preceitos para além da teoria que segue: há sigilo sobre aquilo que se fala na sessão, isso significa que ele não vai espalhar sua história por aí; ele segue uma teoria, um saber científico; ele não está lá para julgar o que você fala – um(a) psicólogo(a) bem formado trabalha para além das questões de certo ou errado.

Isso significa que o exposto no parágrafo mais acima sobre você não estar pronto, mas sim, se fazendo é o que permite fazer o analisando sair de suas trincheiras e conhecer um mundo que ele sabe, mas que não sabe que sabe. Ao iniciar uma análise, ao falar (e sabemos quão bom é falar), o analisando nos trás uma paisagem, convida-nos a sermos o acompanhante nessa jornada, nem sempre bela, nem sempre triste, mas que é capaz de afetar aquele que diz, seja porque se escuta ao escutar seu analista através de suas intervenções, seja por alcançar um nível, durante a análise, de se escutar deixando o simples ouvir para outras situações.

Sugestãohttps://amadeipsicanalise.wordpress.com/2013/07/12/agora-e-o-momento-para-falar-de-si-mesmo/

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